Pesquisa analisa temática de gênero no setor de energia solar fotovoltaica no Brasil


Reunir e analisar dados sobre a temática de gênero no setor de energia solar fotovoltaica no Brasil. Esse é o objetivo de uma pesquisa desenvolvida pelo Cities Finance Facility C40, Cooperação Brasil Alemanha para Desenvolvimento Sustentável, por meio da Deutsche Gesellschaft fur Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH, a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK-RJ) e a Rede Brasileira de Mulheres na Energia Solar (MESol). Um questionário voltado para as mulheres que trabalham no ramo, com preenchimento que leva de 10 a 15 minutos, pode ser respondido até o até 24 de janeiro neste link.
A partir da análise dos dados, a ideia é identificar o contexto e os principais gargalos para inserção e retenção de mulheres profissionais atuantes no setor de energia solar no país, assim como sensibilizar suas/eus principais agentes sobre a questão de gênero e a importância de endereçar essa temática no desenvolvimento do setor. O resultado da pesquisa será divulgado em março nas redes sociais da MESol.
Apesar da grande participação das mulheres no mercado de trabalho, ainda há baixa representatividade e alta desigualdade em comparação à atuação dos homens em áreas tecnológicas, tanto no nível técnico quanto nos cargos de decisão. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população brasileira é composta por 51,7% de mulheres, que também são maioria com formação no ensino superior. Por outro lado, as mulheres recebem em média 75% do salário dos homens. Na área da engenharia, somente 29% das/os pesquisadoras/es são mulheres. Nas ciências exatas, apenas 32%dos postos de trabalho são ocupados por mulheres e, nas engenharias, o número é um pouco superior , 39%.
O setor energético também se destaca pela baixa representatividade feminina no mercado de trabalho. Segundo a Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA), as mulheres ocupam 32% dos empregos relacionados às energias renováveis no mundo. A necessidade de tratar o tema gênero no setor de energia no Brasil, cuja participação é predominantemente masculina, é ratificada em pesquisa da MESol junto as profissionais, 64% delas já ouviram comentários sexistas no seu ambiente de trabalho, e 49% já sofreram algum tipo de discriminação nesse ambiente por ser mulher.
O aumento exponencial da participação ativa e diversa das energias renováveis no Brasil, como a solar, a eólica e a de biomassa, apresenta uma perspectiva favorável para o aumento da igualdade de gênero no setor. Contudo, estudos e dados segregados por gênero são escassos, tornando-se muito difícil compreender os desafios das profissionais que atuam no ramo. Ao buscar maior entendimento das normas sociais e culturais e demais barreiras para a participação e representação das mulheres no setor da energia no Brasil, bem como dos benefícios de uma política energética sensível a gênero, desenvolve-se o potencial para evitar a reprodução das desigualdades de gênero e inspirar mudanças estruturais no setor.
Source: Instituto Ideal

Tags:

Write a Reply or Comment